Candidatos voltam ao estudo para refazer prova da OAB

terça-feira, 9 de março de 2010

O cancelamento de todas as provas da segunda fase do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que habilita bacharéis em direto a exercerem a advocacia, já provoca uma forte procura pelos cursos preparatórios no país e dá aos 18,7 mil candidatos que deverão refazer os testes mais tempo para reforçar os estudos. Realizada em 28 de fevereiro, a segunda etapa das provas foi cancelada domingo, por causa da confirmação de vazamento do gabarito do exame de direito penal. Em Minas, a medida afeta a vida de 673 candidatos que fizeram o teste, a maioria deles em Belo Horizonte (252). A prova será aplicada de forma unificada, em todo o país, em 11 de abril.

“Com a zebra do exame, já estamos abrindo novas turmas. As pessoas ganham um tempo extra para se preparar”, afirma José Carneiro, dono do curso preparatório Marcato, no Bairro de Lourdes. A expectativa também é grande no curso A. Carvalho, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de BH, que atualmente mantém três turmas, uma em cada turno do dia. “Com o cancelamento, a procura nesta semana vai aumentar, já estamos preparados para isso”, disse a funcionária Solange Gerônimo.

A fraude no exame foi descoberta em Osasco, no interior de São Paulo, onde examinadores apreenderam com um candidato livro de consulta em que estavam escritas todas as respostas das questões. Uma emissora de TV paulista também recebeu, no mesmo dia, uma folha com todas as respostas, poucos minutos depois do início do teste.

A Seccional Minas Gerais da OAB foi contra o cancelamento de todas as provas da segunda fase. Na reunião do Colégio de Presidentes das 27 Seccionais da Ordem, domingo, em Brasília, os mineiros votaram pela anulação apenas do teste que teve vazamento confirmado, até a conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga o caso.

“A investigação ainda está em curso. Há indícios de que a prova tenha vazado como um todo, mas a prova material se restringe ao teste de direito penal. Caso viessem novos elementos noticiando ou confirmando a suspeita de que outras áreas também foram afetadas, aí, poderíamos cancelar o resto”, defendeu o presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB-MG, Carlos Shirmer, que participou da reunião. O Mato Grosso do Sul acompanhou o voto de Minas, mas, como a maioria pensou diferente, decidiu-se pelo cancelamento imediato de todas as provas.

“A anulação visa assegurar a transparência e a lisura do processo, na certeza de que o exame não está maculado de vício. É a preservação da seriedade e da transparência do exame”, disse Shirmer. Para o presidente da OAB Nacional, Ophir Cavalcanti, o cancelamento serve também para preservar a qualidade dos colegas que vão entrar na profissão. “É muito mais seguro para todos que esse exame seja refeito”, disse.

Polícia Federal

A nova prova deve custar entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. Os candidatos serão notificados individualmente sobre o cancelamento. Uma sindicância será realizada no Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), que realiza o exame em parceria com a OAB. A Polícia Federal continuará responsável pela investigação do episódio.

Fonte: Uai

2 comentários:

cida 9 de março de 2010 15:30  

Parabéns aos Presidentes da OAB de Minas Gerais e de Mato Grosso do Sul, de acordo com as informações divulgadas, não havia necessidade de cancelar o exame. Estamos pagando pelo "erro de alguém", irresponsabilidade do CESP e OAB que tinham obrigação/dever de zelar pelo certame.
Esses,sim, são coerentes e justos!
Estão no lugar certo, continuam...

moreno 9 de março de 2010 17:23  

Ainda existe cérebros neste país!!! Sabia que em algum recanto existia esperança, mas fazer o que, num país com tantos analfabetos e outros apenas funcionais, é de se esperar que a minoria use o cérebro e que a democracia não sirva como meio de decisão.

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