Merecimento, sorte e outras hipóteses

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Achei um interessante artigo no Blog do Dr. Yúdice Andrade - Arbítrio do Yúdice - que suscita algumas reflexões sobre o exame de ordem e alguns de seus personagens.

Antigamente, quando se falava sobre vestibular, era comum se comentar acerca de pessoas muito inteligentes e/ou esforçadas, que não haviam passado, ou de pessoas em quem ninguém acreditava, mas que haviam logrado sucesso. Nos cursinhos, quando alguém dizia não se sentir preparado para as provas, sempre havia uma voz amiga aconselhando:

- Faz a prova. Vai que cai justamente o que estudaste!

Era o reconhecimento de que capacidade e estudo dedicado compunham apenas uma parte do processo. Sempre houve uma larga margem de imponderabilidade influenciando os resultados dos vestibulares.

O tempo passou e essa discussão perdeu o interesse. O desmantelamento do ensino público para gáudio da iniciativa privada levou à explosão do número de instituições particulares, de tal modo que, hoje, há quase tantas instituições de ensino superior quanto farmácias Big Ben por aí. Bobeou uma esquina, abre mais uma. E o número de cursos e de vagas não para de aumentar. Graças a isso, qualquer um passa no vestibular hoje em dia.

Entretanto, um outro funil surgiu há uma década e meia, que atende pelo nome de exame de Ordem. De incidência mais restrita, influencia apenas a vida dos bachareis em Direito. Mas estes não são poucos e, devido à enorme procura e pressão sobre os cursos jurídicos no país, há um certo interesse da sociedade pelos resultados. Nem que seja pela ausência de testes de proficiência em outros cursos, paira alguma curiosidade quanto aos números da OAB.

A cada nova edição do controverso exame (não é meu objetivo voltar a essa cansativa polêmica agora), a seccional de São Paulo torna públicos os índices de aprovação. Aliás, os índices de reprovação, que são sempre superiores. No resultado divulgado esta semana, houve nada menos do que 86% de insucesso. O percentual está sempre nesse patamar.

Como não estou preocupado com São Paulo, acessei o sítio da seccional paraense e, como sempre, nenhuma palavra. Pelo visto, o nosso sodalício deve acreditar que sua função se esgota na realização em si das provas, pois não manifesta interesse pelos resultados. Mais tarde, deve sair o famoso ranking das instituições, que na prática serve apenas para saber quem aprovou mais e transformar isso em publicidade, uma prática que cheira à odiosa rotina dos cursinhos vestibulares. Não é atrás dessa informação que estou.

O que me interessa são informações que, salvo ignorância minha, a OAB/PA jamais forneceu:

Como ela avalia o último exame?

As questão estavam bem elaboradas, dos pontos de vista técnico e pedagógico?

Existe algum acompanhamento do desempenho das instituições ao longo do tempo?

A OAB procura as instituições para dialogar com elas, procurando mecanismos que melhorem esses resultados?

A OAB tem interesse na melhoria desses resultados?

A OAB tem algo a dizer aos candidatos reprovados?

Aliás, a OAB tem algo a oferecer aos aprovados, além de descontos da anuidade?

O mínimo que se podia esperar era que, a cada resultado, a OAB emitisse um pronunciamento oficial sobre as questões acima ou outras, que parecessem relevantes. E não esse absurdo silêncio, que soa a descaso. Descaso, sim, porque não passar no exame estaciona a vida de muita gente. E seria bom que a OAB informasse se já se deu conta disso.

11 comentários:

Marcelo,  24 de julho de 2009 10:39  

Professor,

excelente artigo...passei no último exame e sempre me questionei a respeito de determinadas posições adotadas pela OAB. Creio que um olhar mais "regulador" tanto do MEC quanto da OAB sobre as instituições de ensimo tornariam a aprovação no exame apenas uma consequência do empenho do aluno durante os 05 anos.
Hoje, creio eu, que a tendência das faculdades de "2ª linha" é se adaptarem ao exame, ou seja, não mais formarem cientistas jurídicos, e sim adaptarem suas grades horárias ao que é exigido pela CESPE nos exames de ordem.
Isso, pelo menos aqui em São Paulo, já é uma realidade, conheço ao menos 3 universidades que estão moldando sua grade curricular, bem como o estilo de avaliação de seus alunos para o que mais se aproxima do que é exigido pelo órgão de promoção do exame.
Apenas um desabafo...
Abs.

Anônimo,  24 de julho de 2009 10:46  

Passar no vertibular de verdade é coisa para poucos. Vestibular, na acepção exata do termo,só as instituições de ensino públicas têm e nestas as provas realmente avaliam, não são provas apenas objetivas, são discursivas e muito bem elaboradas,tanto que pouco se ouve falar em anaulação de questões da FUVEST, por exemplo. Anulações até ocorrem, mas são pouquissimas. Antigamente o vestibular, mesmo das instituições públicas, era que nem hoje é o exame de ordem, ou seja, tinha uma prova objetiva e uma redação e era por isso que muitos não preparados se aventuravam em fazê-lo e às vezes até conseguiam aprovação (mesmo fazendo uma redação sofrivel, o que hoje é impossível).Mudaram o vestibular, hoje as provas dos vestubulares não exigem mera "decoreba" (como exige o exame de ordem na primeira fase), são provas discursivas que exigem conhecimento e raciociocínio lógico, significando dizer que analfabeto jamais conseguirá aprovação. Até mesmo o tipo de redação mudou, hoje exige muito mais do candidato (antigamente bastava escrever que praticamente seria aprovado). E é justo, é uma prova difícil, mas só é dificil para quem não está preparado, para quem não sabe. o que chamam de vestibular nas instituições privadas é um mero cumprimento de formalidade exigido pelo MEC disfarçado de vestibular, no qual qualquer um,a grande maioria analfabetos funcionais "que fez" o ensino fundamental e médio em 6 meses por meio dos chamados exames supletivos, é "aprovado".Gente, se fizerem uma avaliação séria, constatarão que 95% dos bacharéis em direito não sabem fazer uma simples redação (muitos que passam é porque compiam dos livros as respostas das questões e porque decoram, LITERALMENTE DECORAM, o modelo de uma peça jurídica (o bacharel faz a peça, mas sem ter a menor noção do que está fazendo. A grande maioria dos estudantes de direito são egressos dos cursos supletivos e são eles que ficam reclamando que o exame de ordem não deve existir, que o exame é difícil, etc. Difícil é o vestibular (das instituições públicas), o exame de ordem é moleza, exige meramente "decoreba" ou sorte na primeira fase. E na segunda fase não exige nada, pois os bacharéis podem usar livros e se ele decorar o modelo da peça será aprovado sem maiores dificuldades.

Anônimo,  24 de julho de 2009 10:55  

Dr.Maurício, que acha da ideia de o Blog fazer uma estatísica sobe o indice de aprovação de cada Seccional? Não seria dificil fazer isso não, bastava conseguir na seccional quantos bacharéis realizaram o exame e, CONTANDO o número de aprovados (pela relação que a OAB divulga), se chegaria aos percentuais. Aliás, eu já havia feito isso em relação aos percentuais de São Paulo, antes mesmo de a OAB divulgar em seu site os percentuais de aprovação, eu já havia aqui no Blog demonstrado a quantidade de bahareis participantes do exame, o número de aprovados e o percentual de aprovaçao.

Anônimo,  24 de julho de 2009 11:20  

Uma boa tb seria a divulgação do ranking das universidades... nas seccionais.. Apenas para conferir a UERJ no topo mais uma vez e a Nacional lááááááááá embaixoooo

Anônimo,  24 de julho de 2009 16:59  

OPA... EXAME PASSADO UERJ EM 2ª.. E UNIRIO EM 1ª

Anônimo,  24 de julho de 2009 18:00  

A OAB já se posicionou.

1 - Sua faculdade não presta, vá para a justiça e recorra do seu curso, e não esqueça de arrumar um advogado pra isso.

2 - Boa sorte no próximo exame, aliás, tomara que reprove, porque o que eu quero é seu dinheiro.

3 - Ahh que pena, voce passou... está preparado para advogar? não? mas mesmo assim vai pagando a anuidade...

Anônimo,  25 de julho de 2009 00:30  

Na teoria e no papel faz o maior sentido. Mas nas bizarras falhas, na inconstancia de incoerencias e descasos administrativos perante o Edital e "entendimentos pedagogico" de correções é q baba tudo! Falta seriedade r competencia. Só...

Yúdice Andrade 27 de julho de 2009 08:42  

Caro Marcelo
Fico feliz de ter ajudado no debate que surgiu aqui. Outro dia, com mais tempo, gostaria de tratar sobre como o vestibular continua sendo excludente no Brasil, a partir da crítica muito pertinente feita no segundo comentário. É que o meu texto aborda apenas um aspecto da questão (o avanço do ensino particular) e o comentarista aborda outros vieses que merecem atenção.
Um abraço.

Yúdice Andrade 27 de julho de 2009 08:44  

Perdão, MAURÍCIO! É que eu estava com um Marcelo ao lado, na hora em que escrevia. Perdão, mesmo!

Anônimo,  29 de julho de 2009 23:45  

Sou da FND/UFRJ e passei tranquilamente, bem como todos os meus colegas de curso.

O choro da UERJ é livre! Nacional na frente nos últimos exames!

abraços

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