O melhor entre os piores

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Leiam a matéria abaixo e prestem atenção nos trechos negritados:

OAB-PI vai realizar concurso com vagas para procurador

A Ordem dos Advogados do Brasil - seccional do Piauí vai abrir concurso público para o suprimento de vaga de dois procuradores para defender advogados inscritos na Ordem no Piauí. Segundo o presidente da OAB-PI, Norberto Campelo, o Piauí é um dos poucos estados que ainda não utiliza este artifício.

Ele informou que está tentando cumprir os compromissos assumidos com os advogados e está ampliando a sede da OAB-PI. "Está sendo feito um auditório de 508 lugares e com acesso para cadeirantes, acessibilidade mecânica e um dos mais modernos , com som de cinema e tudo", comentou Norberto Campelo, em visita a redação do Jornal Diário do Povo, acompanhado pelos advogados Sigifroi Moreno e Wilson Gondim.

O mês de agosto é o mês dos advogados e a Ordem pretende realizar eventos para construir a imagem de prestigio da categoria. Ele destacou que a atuação dos advogados levou a uma substancial melhora na prestação jurisdicional e o acesso à Justiça.

Eles informaram ainda que o Piauí tem se destacado com a aprovação de bacharéis em Direito no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, que foi nacionalizado. "O Piauí tem se sobressaído em primeiro lugar, melhor que São Paulo. Nossa aprovação é o dobro da de lá", frisou Norberto Campelo.

Segundo o secretário da Ordem, Sigrifroi Moreno, há 6,9 mil advogados inscritos no Piauí, sendo que cerca de 2,5 mil estão atuando no mercado. "Foi um salto exponencial o crescimento. Em 40 anos tivemos um aumento de 3,4 mil advogados. De 2003 a 2009 foram quase sete mil. Mas muitos não exercem a profissão ou seguiram outro ramo do Direito", comentou.

A média de aprovação do Piauí no exame da Ordem tem sido surpreendente, na faixa dos 30%, enquanto, estados maiores e mais desenvolvidos, ficam com uma média que é a metade disso, destacou Sigifroi Moreno, ratificado pelo advogado Wilson Gondim.

Norberto Campelo está fazendo uma espécie de prestação de contas do seu mandato como presidente da OAB-PI e frisando o cumprimento das propostas apresentadas à categoria.


Até onde me consta, 30% de aprovação no Exame de Ordem é um percentual MEDÍOCRE, e não deveria, de forma alguma, ser objeto de exultação por parte de ninguém. "Ah, mas é o melhor do Brasil", poderia afirmar alguém mais animado. Sim, pode até ser, mas o percentual seria apenas o melhor entre os piores, pois todos são ruins. Nenhuma Seccional consegue aprovar mais de 50% dos seus candidatos (nem passam perto disso), e pouquíssimas faculdades particulares conseguem aprovar mais de 50% dos seus bacharéis (dá para contar nos dedos da mão as que conseguem).

Ademais, a comparação com o Estado de São Paulo é descabida, pois São Paulo congrega o maior número de faculdades particulares do Brasil; nada mais natural que proporcionalmente consiga índices menores de aprovação (descontando também o fato que foi a 1ª vez que realizou o exame unificado, o que pesou para o péssimo desempenho dessa Seccional, acostumada até então com uma prova bem mais camarada).

Enfim, o ensino jurídico no Brasil está em frangalhos e ainda encontram espaço para ver algo de bom nisso. É ótimo que o Piauí aprove "tantos" bacharéis face ao restante do País, mas convenhamos, 30% de aprovação não pode ser motivo para comemoração.

Um reforma no ensino superior é mais do que necessária: é urgente! São 4 milhões de bacharéis excluídos do mercado por conta de faculdades caça-níqueis.

P.S. É a Seccional de Sergipe aprova mais bacharéis percentualmente, e não a do Piauí.

8 comentários:

Anônimo,  19 de agosto de 2009 09:11  

O seu blog é muito bom e de utilidade pública.
Essa matéria não merecia um comentário desse tipo. Tudo bem que se trata do presidente de uma seccional falando. A posição do Sr. Norberto Campelo apenas reflete um sentimento do povo piauiense em ser firmar como um local que enfrenta problemas e também tem conquistas, mesmo que pequenasj á que apenas sai na mídia nacional por conta das sua dificuldades. Não se pode admitir que o Piauí seja comparado com São Paulo, mas todos os dia vejo comparações de São Paulo com o Piauí. Todos fazemos parte do mesmo país e da mesma democracia.

Anônimo,  19 de agosto de 2009 09:16  

Orgulho de ser SERGIPANO!

Maurício Gieseler de Assis. 19 de agosto de 2009 11:21  

A matéria apenas reflete uma realidade: a distorção com que a prova da OAB é vista. Em momento nenhum leva em consideração outras peculiaridades dos Estados mencionados no texto e tampouco teve o escopo de denegrir ou exultar nada nem ninguém.

Anônimo,  19 de agosto de 2009 13:22  

O que acontece é que, infelizmente, Sergipe, Piauí, dentre outros estados que compõem a região Nordeste do nosso país, sempre foram alvo de discriminação por parte do Sul e Sudeste. No momento em que uma prova como a da OAB, demonstra que a qualidade de ensino nesta região é acima da expectativa, alguns se pegam carona nas notícias e estatísticas para mandar seu recado, declarando em alto e bom tom, que são detentores de uma qualidade educacional superior a daqueles que por vezes os menosprezavam.

Maurício Gieseler de Assis. 19 de agosto de 2009 14:02  

Sei bem como é essa realidade, mas a linha editorial do Blog está acima disso. o Blog tem a pretensão de ser nacional, sem se apegar a regionalismos.

Faço todo o esforço para ser imparcial. Minha única orientação é no sentido de ser favorável ao exame de ordem.

Anônimo,  19 de agosto de 2009 17:53  

Aprovam mais porque o número dos que prestam o exame são bem menores.

Essas regiões não possuem muitas faculdades particulares por falta de investimento mesmo, porque estas visam o lucro (são caça-níqueis) e lá ninguem tem dinheiro para isso.

O percentual é justificável na medida em que se trata de um exame caro, para poucos, em suma, ou se faz para passar ou abandona e vai vender água de coco.

Anônimo,  19 de agosto de 2009 23:12  

13:22, não tem nada disso de ser ensino melhor não. A questão é matemática, ou seja, a PROBABILIDADE de um percentual elevado de aprovação é bem maior nessas Regiões, uma vez que o número de bacharéis que participam do exame também é bem menor.

Anônimo,  26 de agosto de 2009 22:36  

O primeiro comentário do post é bastante feliz a esse respeito. Sou piauiense, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí (colação em 1998), advogado durante 7 anos (1998 a 2005) e hoje Analista Judiciário da Justiça do Trabalho. Sempre acompanho esse blog pela contribuição excepcional para aclarar o papel do Exame de Ordem na realidade atual como ferramenta de apoio à qualidade do ensino superior. Entretanto, não posso deixar de destacar minha decepção com o comentário sobre a notícia da OAB-PI. Pode até não ter sido a intenção, mas o blog passou a ideia de que o Piauí sequer pode ser considerado como parâmetro para o Exame de Ordem. Ora, o Piauí vem se destacando sempre com ótimos resultados na seleção em comento. E isso desde os tempos do início do exame unificado, este aliás, foi pensado e implementado inicialmente no Nordeste. Isso para não falar nos ótimos e reiterados resultados do Ceará e Sergipe. Será que são meras coincidências? Certamente que não. Rodrigo Ricardo Rodrigues do Santos

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