Moderação de comentários e a luta contra o exame de ordem

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fui moderar alguns comentários e me assustei com a virulência destilada por alguns leitores do Blog. Eu já sabia que o exame de ordem desperta emoções profundas em alguns, mas daí a querer "explodir" as OAB's ou impedir pela força que os bacharéis entrem nas salas no dia da prova é um completo despropósito. Simplesmente não posso publicar tais comentários.

Eu sou a favor do exame de ordem, pelos meus motivos, mas acho absolutamente legítimo que qualquer movimento contrário possa expressar suas idéias e lutar por aquilo que julga justo e correto, mesmo que seja o fim do próprio exame. São duas visões antagônicas sobre o mesmo tema, mas legítimas como expressões de forças sociais, e que podem, e devem, digladiar-se dentro do campo da legitimidade, seja o político, seja o jurídico, sem apelar para práticas ou discursos apelativos.

Para quem deseja o fim do exame eu indico o site Profpito - http://www.profpito.com - mantido pelo Prof. Fernando Machado da Silva Lima, o maior expoente na luta contra o exame de ordem. Indico também o perfil no Orkut do Sr. Reynaldo Arantes, que também luta com afinco pelo fim do exame - http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=6294925658924507038 . Enquanto aquele elabora o arcabouço ideológico do movimento, este demonstra grande empenho no campo político. Sugiro que entrem em contato com esse dois senhores caso se interessem pelo fim do exame e desejem efetivamente "fazer alguma coisa".

Como eu disse antes, todo movimento sócio-político é legítimo, desde que observados os parâmetros da civilidade.

E la Nave va.

8 comentários:

Isabel Pozes 14 de maio de 2009 23:20  

Sou totalmente a favor, muito embora eu não tenha certeza da minha aprovação. O maior motivo que me leva a dar crédito é o nível do mercado "versus" nível do ensino superior. A profissão exige conhecimento, muito estudo e dedicação. Há quem tenha se dedicado muito pouco com relação às exigências do curso. A advocacia deve ser respeitada, há quem "jogue na lama" o respeito que se deve a ela, existe indevidamente uma competitividade entre algumas classes de advogados.
Devemos "nivelar" por cima sim, sejamo sensatos.

Anônimo,  14 de maio de 2009 23:23  

Para aqueles que são favoráveis ao exeme: tranquilidade, pois o exame jamais vai acabar, pelo menos tão cedo não há tal risco, pois o Congresso Nacional é formado, na sua grande maioria, por advogados. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que em uma família composta por 10 membros, se ela tivesse o poder de condenar alguém, condenasse à morte o seu chefe, ou seja, pode até ser que eventualmente um ou outro seja favorável por "N" razões, mas condenação mesmo seria impossível. Meu nobre moderador, respeito a sua posição favorável ao exame, mas a única utilidade dele é evitar que muitos advogados sejam inseridos no mercado de trabalho e sem que isso venha a prejudicar a arreecadação gigantesca da OAB, não tem nenhum, não tem qualquer outra função. O exame tem dezenas, talvez centenas, de distorções e que precisariam ser pelo menos sanadas já que o exame não vai mesmo acabar. Sem entrar no mérito da inconstitucionalidade do exame, vou citar apenas algumas distoções:

a- a correção da prova da segunda fase segue critérios eminentemente subjetivos;

b- a prova é corrigida por advogados MILITANTES;

c- a prova, especialmente da primeira fase, exige apenas e tão somente memorização;

d- o valor da taxa de inscrição é abusivo;

e- o bacharel pobre, na acepção da palavra, não tem como obter dispensa ou redução da taxa de inscrição;

f- em pleno século XXI não há mais nenhuma possibilidade de uma peça processual ser feita à mão, por isso não tem sentido a peça prático-profisisonal do exame NÃO ser feita em computador (e o bacharel ser reprovado porque os examinadores não entenderam a caligrafia) e o que é pior, o bacharel não pode usar lápis e borracha para para ter a chance de fazer um rascunho bom;

g- o tempo de 5 horas para responder 100 questões da primeira fase é insuficiente para o bacharel responder conscientemente, pois não dá tempo do candidato ler e reler o enunciado da questão. A prova da segunda fase também padece do mesmo problema, isto é, o tempo de 5 horas é insuficiente para o bacharel responder 5 questões e elaborar a peça. As questões não deveriam existir, até porque de certa forma elas já estão ou podem ser inseridas na primeira fase.

h- a legislação muda a todo instante e se o bacharel não for aprovado no primeiro exame, sempre que fizer novamente terá que comprar novos livros e isso faz com as editoras propositalmente e de má-fé deixem de lançar novas edições só para que o resto do estoque da edição passada seja esgotado (o bacharel compra livros que depois do exeme já não mais servirão para nada). Neste aspecto, a OAB deveria só exigir, e deixar isto explícito no edital, que as normas que entrassem em vigor somente poderiam ser objetos da prova 1 ano após a entrada em vigor (o ideal seriam 2 anos, mas 1 ano já ajuda);

i- o edital deveria já trazer explicitamente (especificando título, autor e edição) quais os livros que poderiam ser utilizados na segunda fase, logicamente sendo os livros apontados no edital a fonte para a elaboração das questões da prova;

j- nem todos os bachareis têm a chance de estagir e estes levam enorme desvatagem em relação aos bacharéis que fazem estágios. Não que isto seja propriamente um problema criado pelo exame, mas de alguma forma é uma distorção que deveria ser analisada;

l- a prova contém pegadinhas propositalmente inseridas para REPROVAR;

m- prova não prova nada.

Enfim, como instrumento para impedir que o mercado seja inflado com tantos advogados sou favorável ao exame, mas sou favorável apenas no meu íntimo, porque eu estaria sendo extremamente injusto e egoista em defender o exame apenas com o objetivo de eu atuar sem sofrer concorrência, se outros, sei lá quanto milhões, fizeram uma faculdade de direito e muitos talvez estejam até mais qualificados que eu.

LuBezerra 15 de maio de 2009 01:43  

Honestamente eu não via com bons olhos pela grande quantidade de não aprovados o que me dáva - e ainda dá - a sensação de que é bastante difícil.

Mas ao me preparar para o mesmo e depois de ler alguns pontos de vista sobre o assunto, eu acabei mudando de lado.

Hoje consigo entender o quanto é essencial e quão bom seria se todas as profissões tivessem algo semelhante, pois teríamos profissionais mais conscientes no mercado.

De qualquer forma, toda essa exigência, me deixou ainda mais crítica quanto à atuação de vários colegas e cada vez que vejo uma irregularidade cometida por algum, especialmente deslizes éticos, isso me deixa possessa.

Acredito que não só a seleção para adquirir a tão sonhada carteira vermelha seja importante como também a fiscalização para a manutenção dela, pois é lamentável a quantidade de trapalhadas e flagrantes condutas de má-fé que só fazem com que a maioria dos advogados leve a fama de picareta.

Talvez se mais clientes tivessem ciência do papel das comissões de ética e disciplina (muitos nem sabem que isso existe) e se suas ações fossem mais efetivas, possivelmente seria promovida aí uma profunda mudança na forma como a profissão é encarada.

Hoje, vendo de perto o esforço para conseguir passar, não consigo perdoar um colega que passe por cima dos valores éticos que todos nós somos obrigados a saber para conseguir advogar.

Led 15 de maio de 2009 01:54  

Concordo com o Anônimo.
Não sou contra o Exame. Sou contra o fato de que esse "Exame" não examina absolutamente nada.
Se fosse reformulado, seria um exemplo para outras carreiras.

Anônimo,  15 de maio de 2009 08:30  

A gente é contra o exame enquanto não passa nele... Depois que passa é a favor... Estranha atitude não?!

Mas por incrível que pareça é isso que acontece...

Anônimo,  15 de maio de 2009 11:05  

LUBezerra, mas o fato de alguém conseguir aprovação no exame não é garantia de que agirá de boa-fé e nem também garantia de que é um profissional qualificado. Creiam piamente numa coisa, ou pelo menos reflita sobre o assunto: o tiro da OAB pode estar saindo pela culatra. Penso que na verdade os desqualificados é que estão conseguindo aprovação, pois o exame fez com que as faculdades, que já eram ruins, se tornassem piores ainda, visto que hoje em dia abandonaram por completo o ensino jurídico e aplicam somente métodos que visam a aprovação no exame (hoje são verdadeiros cursinhos); as faculdades direcionam todos seus esforços não no ensino juirídico, mas no sentido de conseguirem o maior número possível de aprovação, pois assim não terão grandes problemas com o MEC (corte de vagas) e utilizam a aprovação dos seus alunos como instrumento de marketing objetivando estarem sempre com suas salas cheias. Penso que o exame não é de todo ruim, mas a forma com que ele é realizado não está sendo útil no aspecto qualificação; está sendo últil apenas no aspecto controle da quantidade de profissionais no mercado (o que não acho que seja errado, pelo contrário, tem mesmo que haver um freio, não há lugar para todos e se a OAB assumisse que faz mesmo esse controle não vejo nada de errado nisso, só que, insisto, a forma com que ela está fazendo o controle está equivocado. Penso que há que se fazer mudanças no formato do exame, não para acrescentar mais matérias como sociologia, filosofia, etc.; aumentar matérias, principalmente quando elas DIRETAMENTE não têm relação com o exercício da advocacia, não significa que haverá melhor avaliuação. O que tem que ser mudado é simples: basta a OAB fazer o exame que exija realmente que o bacharel demonstre conhecimento jurídico (não decoreba) e se isso ocorrer, penso que o índice de reprovação irá aumentar e muito, mas aí será justo porque somente os que realmente caonhecem o direito é que serão advogados. Você acha, por exemplo, que alguém que responde corretamente as 5 questões da prova da segunda fase e não faz a peça prático-profissional (porque não sabe mesmo fazer)tem qualificação sufiociente par advogar? Pois é isso que está também acontecendo, ou seja, sabendo que é muito mais fácil copiar as respostas retirando as dos livros do que desenvolver uma peça, os bacharéis dedicam atenção exclusiva às 5 questões e se preocupam só em endereçar a peça e isso praticamnente garante a aprovação.Aí você pode perguntar: então por que todos não fazem isso? Simples, porque quem aprende não sabe copiar, sabe responder e quando responde o examinador diz que fugiu do tema (eles são absolutamente bitolados pelo gabarito da OAB).

Anônimo,  15 de maio de 2009 12:56  

Lu Bezerra, aposto que você conseguiu aprovação no exame.Pois olha, eu consegui ser aprovado já há dois anos e logo no primeiro que fiz, mas eu sempre fui contra e enquanto não decidirem mudar o seu formato serei contra. Considero pura insanidade daqueles que insistem am manter o exame como ele é atualment.

LuBezerra 15 de maio de 2009 14:45  

Calma, anônimos, nem fui aprovada ainda e nem faço parte de nenhuma comissão da OAB... rs
E nem disse em momento algum que concordo com o atual formato.
Eu disse que, assim como o texto principal sugere, eu era uma das pessoas radicalmente contra em todos os sentidos, mais por medo do que por qualquer outra coisa.

Então, tinha esperança de que até eu me formar o exame fosse abolido (eu sonho alto, eu sei) ou então, que nunca fosse preciso passar por ele. Mas no último ano da faculdade, só mesmo pra pagar língua, me encantei com a advocacia e vi que era inevitável.

O que compartilhei não contradiz nenhum dos argumentos de vcs que considero bem fundados e respeito além de concordar em vários pontos. Há necessidade de mudança? Claro que sim, os números dizem isso, mas acabar? Não acho mais que seja por aí. Só que no meu comentário, limitei-me a abordar o sentimento que hoje tenho em relação à prova. Pode ser que para muitos isso não acontece, claro que pode, mesmo pq a gente ainda vê muita trapalhada sendo feita e acaba que a classe inteira paga o pato.
Só disse que pretendo nunca esquecer esses princípios éticos pelos quais serei avaliada pois estaria anulando todo o esforço que hoje estou tendo na busca de minha aprovação. Só isso!
Viram? Pronto, vamos fazer as pazes agora! kkk
Um abraço

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