Melhor do Estado, USP é apenas a 17ª no Exame da OAB

domingo, 31 de maio de 2009

Líder no ranking paulista de aprovação para a segunda fase do exame da OAB, a USP foi apenas a 17ª colocada do País. Outras 3 instituições de São Paulo ficaram entre as 50 primeiras colocadas: Mackenzie (27ª posição); PUC (33ª) e Unesp (49ª). No geral, só 12% dos bacharéis do Estado inscritos no exame passaram para a segunda fase. Participaram da prova nacional alunos de 551 cursos de Direito.

O índice de alunos da USP aprovados foi de 70,21%. O porcentual do Mackenzie foi de 57,29%, o da PUC, de 54,55% e o da Unesp, de 48,15%. O coordenador da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, João Grandino Rodas, admitiu que o resultado não foi satisfatório.

"A USP tem condições de apresentar um índice maior de aprovação. O corpo docente é de altíssima qualidade, temos uma das melhores bibliotecas e os alunos passaram pela concorrência acirrada da Fuvest. Então, esse índice não pode ser de 70%, está aquém do que a universidade pode fazer."

São Paulo aderiu este ano ao exame nacional. Antes, os bacharéis paulistas faziam um exame regional, da OAB-SP. A expectativa era de que o porcentual de aprovados aumentasse, mas isso não ocorreu. Nas últimas edições do exame da OAB-SP, o índice de aprovados girou em torno de 20%.

O coordenador do curso de Direito da PUC, Roberto Baptista Dias da Silva, disse que a média de aprovação de estudantes da universidade no exame da OAB-SP era de 90%. Ele atribuiu a queda do desempenho ao fato de a maioria dos alunos fazer a prova no fim do ano, quando todos estão se formando. "Quem fez o exame agora é porque não passou no primeiro. Quando o número de alunos inscritos é menor, a estatística pode prejudicar os resultados. O exame não pode ser um critério único de avaliação para um curso que é de excelência há 60 anos."

Para o coordenador do curso de Direito da Unesp em Franca, Marcos Simão Figueiras, a adesão de São Paulo à prova nacional pode ter influenciado a queda no desempenho. Ele ressaltou ainda o fato de o número de inscritos da Unesp ter sido pequeno. "Infelizmente é um resultado ruim, mas não tenho dúvidas da qualidade dos formandos da Unesp. O curso de Direito é o segundo mais concorrido do vestibular, com uma média de 40 candidatos por vaga. No interior, o número de vagas de estágio é bem menor. Na capital, os alunos costumam fazer estágio bem mais cedo, e com isso tem uma prática jurídica maior, que vai auxiliá-los na hora do exame."

Segundo a Coordenação do Exame da Ordem Unificado da OAB, as 15 primeiras colocações no ranking nacional ficaram com instituições públicas: 12 federais e 3 estaduais. A Universidade de Brasília (UnB) aparece em primeiro lugar, com 94,44% dos alunos aprovados; em seguida vêm a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com 92,11%, a Universidade Federal de Sergipe (UFS), com 90,91%; e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), com 90,48%.

A OAB não divulgou o ranking completo. Mas o coordenador do exame, Dilson José de Oliveira Lima, adiantou que as últimas posições são ocupadas, basicamente, por instituições privadas. "Temos, por exemplo, uma faculdade particular do Amapá que inscreveu 32 alunos e não teve nenhum aprovado para a próxima fase. O mesmo aconteceu com dois cursos do Paraná, um com 25 inscritos e a outro com 21. E uma instituição paulista que inscreveu 212 alunos teve apenas 4 aprovados."

Rodas ressaltou o baixo desempenho do conjunto das instituições de Direito do Estado. "É uma luz vermelha que se acende. As faculdades têm que melhorar suas condições de ensino, assim como o ensino básico e fundamental." Para ele, a dificuldade enfrentada pelos alunos indica que as universidades devem rever seus métodos de avaliação. "Trata-se da principal ferramenta para fazer o aluno estudar mais. O exame da OAB, que é objetivo, mostra que as avaliações das faculdades têm um nível baixo."

O pró-reitor de graduação da Universidade Mackenzie, Ademar Pereira, que integra a comissão nacional de ensino jurídico da OAB e a comissão de supervisão dos cursos de Direito do MEC, também criticou a qualidade dos cursos de Direito. "Quanto maior o número de alunos de cursos com péssima qualidade, maior a probabilidade de queda vertiginosa (do desempenho). O risco de colocar bacharéis sem preparo adequado no mercado é muito grande."

Pereira atribuiu o melhor desempenho das universidades federais e estaduais em relação às particulares ao menor número de alunos inscritos e da seleção mais criteriosa no vestibular. "Nas universidades públicas, a procura maior faz com que a seleção seja mais qualitativa."

Fonte: Estadão

7 comentários:

Anônimo,  31 de maio de 2009 12:11  

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco", Agora eles têm desculpas antes nunca dadas: "O exame não pode ser um critério único de avaliação para um curso que é de excelência há 60 anos.". Se a USP, a Mackenzie, a PUC e a UNESP, que têm vestibular sério e lá não ingressa analfabeto funcional, são uma vergonha no que diz respeito ao indice de aprovação no exame, então qual é o problema? São as faculdades que a OAB acusa de mercantislistas, são os bacharéis que a OAB chama de burros, ou será o malfadado exame que tem por objetivo apenas reprovar o maior núimero possível? Gente, coloquem uma coisa na cebeça de vocês de uma vez por todas: o exame é uma indecência, ele não mede capacidade de ninguem, nem mesmo da PUC ou coisa que o valha.Essa fábrica de fazer dinehito para alguns tem que acabar ou ser radicalmente modificado, não se pode permitir uma indecência dessa funcionando abertamente sem que nenhuma autoridade competente tome providências.

Anônimo,  31 de maio de 2009 16:46  

Pq o RJ não solta estatísticas assim? Já fiz e já tenho minha OAB e nunca soube de dados sobre o RJ e o ensino local!!!
Aos q estão "na pista", paciência. Muitas serão anuladas... calma. Nem a CESPE tem vergonha de anular 6 em prova já com 4 erratas anteriores. Essa vai ser campeã em desqualificação!

Anônimo,  2 de junho de 2009 00:06  

HAHAHA

É bom para os "Deuses" de São Paulo aprender.

Alessandro 2 de junho de 2009 16:30  

Se a OAB/CESPE fizessem uma prova regular que não contivesse tantas questões controversas teriamos 100% de aprovação. Ou será uma prova malfadada como disse o colega acima? Que tenha como único objetivo afunilar o número de profissionais no mercado, sem nenhum critério ético/didático, apenas pela simples conveniência de obter interesses escusos sem nenhum propósito ou razão.

P.S. É bom lembrar que a Cespe não apita em nada, dúvido muito que a OAB anule mais de 03 questoes nesse exame.

Anônimo,  2 de junho de 2009 18:57  

Pois é colega Alessandro, já eu duvido que mais de 1 (UMA) quetão seja anulada, D U V I D O, afinal o Projeto de Lei 186/06 está na iminência de ser votado pelo Senado Federal. Se bem que pelas respostas que estou recebendo dos e-mails que enviei para todos os Senadores, com raras exceções, a exemplo do Senador Fernando Collor e do senador Arthur Virgílio (embora este fique mais em cima do muro), é um bando de comprometidos com a OAB, um lixo puro a maioria dos parlamentares do Senado.

Anônimo,  2 de junho de 2009 23:37  

Esse resultado é uma lição de humildade para os preconceituosos em relação às universidades fora do eixo centro-sul. Outro ponto importante é que uma USP, por exemplo,continua mantendo bons índices, que não podem ser chamados de vergonhosos, precisamos ver o mérito das outras universidades. E porque ninguém diz que muitos professores da São Francisco colocam os monitores pra dar aula? (opa, eu disse)

Anônimo,  3 de junho de 2009 11:19  

Eu quero saber o motivo real para a existencia desse exame. essa historinha de melhorar o "nível" do advogado brasileiro,não me convence.

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