Empresas novatas emperram concursos públicos

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009


A indústria dos concursos públicos no Brasil movimenta cerca de R$ 500 bilhões por ano – uma bolada que tem atraído empresas nem sempre qualificadas e gerado uma enxurrada de denúncias de fraude na Justiça. Este ano, por exemplo, termina indefinido para pelo menos seis grandes concursos públicos interrompidos pelo Judiciário por uma série de supostas irregularidades. Isso significa que mais de 540 mil concursandos, que aguardam uma decisão sobre a continuidade ou não dos processos seletivos para cerca de 13 mil vagas na Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério do Planejamento, Polícia Civil de São Paulo, Governo do Estado de Mato Grosso, Polícia Militar de Pernambuco e Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, vão entrar 2010 ainda sem uma resposta.

É o caso do candidato ao cargo de agente da PRF Jorge Romano, líder de um movimento para anulação do processo seletivo e autor de dossiê com diversos indícios de fraude no exame. "Queremos a moralização do concurso público porque é um problema que está se alastrando e o pior é que essas bancas têm a certeza da impunidade", lamenta. Responsável pela seleção das provas da PRF e do Ministério do Planejamento, a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio) é um dos principais alvos de investigação.

Para especialistas da área, a falta de tradição, infraestrutura e legislação no setor justificam o boom de denúncias de irregularidades. “Dois fatores explicam o estado aparente de caos. Um deles é o surgimento de uma grande quantidade de institutos organizadores que não têm estrutura nem tradição para gerir concurso públicos. E a outra é a falta de uma legislação específica do setor, o que resulta numa verdadeira torre de Babel com contratações misteriosas e nomeação de bancas por atos administrativos”, explica o diretor do curso preparatório Companhia dos Módulos, Sylvio Motta.

Segundo levantamento da Associação Nacional de Apoio e Proteção aos Concursos (Anpac), em 2007, as 10 maiores bancas examinadoras do país arrecadaram R$ 118 milhões com concursos públicos. "Hoje, é praticamente impossível fazer esse tipo de análise devido à proliferação de instituições. Antes, eram cerca de 30; hoje são mais de 100", avalia Maria Thereza Sombra, diretora executiva da Anpac.

Os R$ 500 bilhões movimentados anualmente referem-se aos cursos preparatórios, editoras especializadas, bancas examinadoras e gastos dos concursandos. "Se o concurso é algo bom, e é, é natural que seja objeto de desejo dos corruptos e fraudadores, como, aliás, ocorre com a Previdência, licitações e serviços bancários", avalia o especialista e autor de vários livros sobre concursos públicos William Douglas. Para ele, é questão de tempo até haver uma regularização do setor. "O mercado se adapta. Isso será feito em pouco tempo, desde que os governos não aceitem nada menos do que um serviço de excelência por parte das instituições que organizam os concursos", avalia.

A alternativa agora é manter o ritmo de estudos. "E fazer outros concursos onde caiam matérias semelhantes", alerta Douglas. "São mais de 10 milhões de servidores, o que significa que todo ano deverão se aposentar pelo menos 250 mil a 300 mil deles, gerando sempre uma demanda por novos concursos", acrescenta.

Fonte: UAI

5 comentários:

FIKS 28 de dezembro de 2009 19:20  

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro, para R$ 756,2 bilhões (veja gráfico ao final do texto).

Será que só os concursos movimentaram 500 bilhões? O caro amigo enganou-se nos zeros.

Lya 28 de dezembro de 2009 23:33  

Vejam que isso é a industria dos cursinhos e ai está inserido inumeros cursos pelo país todo voltado para o Exame de Ordem, desculpe Exame da Reserva de Mercado da OAB. Bem é evidente que essa industria gerá milhões de Reais para todos $$$$$$$$$$$$$$$$$. Em 2010 vamos mudar essa cirranda o STF vai considerar inconstitucional o Exame de Ordem para colocar ordem na OAB. FELIZ 2010 a todos os Bacharéis em Direito do BRASIL.

Errinelson Pimentel 30 de dezembro de 2009 11:03  

No Brasil as pessoas gostam de exagerar nos números, 500 bilhões? O mesmo exagero do número de bacharéis: 5 milhões. Somente 11% da populaçao tem acesso a uma graduação. Por esses números os bacharéis são no mínimo 30% dos formandos, o que não é verdade. Prova são os 50 mil que fazem a prova da OAB, para 5 mi faltam 4.950.000. São números a serem analisados.

Donizete 1 de janeiro de 2010 23:34  

5.000.000 eu não sei se tem, mas que chega bem perto desse número isso chega.É só fazer um cálculo simples. Temos cerca de 1200 faculdades de direito no Brasil. Se cada uma delas forma todos os anos, em média, 195 bacharéis (e é muito mais que isso), teremos 234.000 bachareis formados todos os anos (195 x 1.200). 234.000 menos os que não conseguem aprovação no exame (cerca de 25% de 50 a 70 mil)multiplicado pelo número de anos de existência do exame chega-se a mais de 3.000.000 de bacharéis.

Donizete 1 de janeiro de 2010 23:34  

5.000.000 eu não sei se tem, mas que chega bem perto desse número isso chega.É só fazer um cálculo simples. Temos cerca de 1200 faculdades de direito no Brasil. Se cada uma delas forma todos os anos, em média, 195 bacharéis (e é muito mais que isso), teremos 234.000 bachareis formados todos os anos (195 x 1.200). 234.000 menos os que não conseguem aprovação no exame (cerca de 25% de 50 a 70 mil)multiplicado pelo número de anos de existência do exame chega-se a mais de 3.000.000 de bacharéis.

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