Dicas para a prova subjetiva

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Muitas perguntas estão sendo feitas sobre a prova de domingo. Como estamos na reta final, vamos a umas poucas (e boas) dicas.

1 - Objetividade

Não use o enrolês jurídico para fazer sua petição. Não esmere no palavreado - use apenas a linguagem técnica, de forma pertinente.

LEIA ponto por ponto a prova. Sua petição terá uns três ou quatro tópicos, em conformidade com o problema apresentado. Entenda o problema, delimite os temas, e trate-os de forma objetiva, concisa e individualizada (se for o caso).

Não é raro que vários candidatos, por não entenderem o problema, fujam do que está sendo proposto, e depois queiram recorrer sem ter base nenhuma. O que a OAB/Cespe quer saber é se você é capaz de compreender uma situação-problema e apresentar uma solução adequada com embasamento legal, jurisprudencial e doutrinário. Logo, escreva com clareza de linguagem e objetividade.

O mais importante de tudo, mas muito importante mesmo. Aliás, é tão importante que você deve decorar tudo o que eu vou escrever agora. Explore TUDO que está no problema apresentado. Fale sobre todos os pontos, um a um, até mesmo sobre aqueles que você não faz a menor idéia de qual dispositivo legal aplicar. O Cespe corrige a prova por meio de uma relação (chamada de espelho) em que busca verificar se os pontos relevantes da prova foram explorados pelo candidato. Falar sobre tudo, tudo mesmo, pode lhe garantir décimos vitais.

2 - Munição

Leve TUDO o que você puder levar. É exagero? Talvez, mas como diz o ditado, "o que abunda não prejudica". É complicado dizer quais são os melhores autores, qual o entendimento da banca...isso pode mudar de uma prova para outra (como ocorreu no último exame) e desestruturar o candidato. Não é vergonha alguma levar uma mala cheia de livros.

Leve, e isso é importante, a novíssima lei e jurisprudência, mesmo que IMPRESSOS em folhas A4. Na prova trabalhista do último exame, o núcleo da petição orbitava em uma jurisprudência do TST, que, de tão recente, não constava nem na doutrina mais atualizada, nem nos vademecuns da vida. Resultado, muito aborrecimento, choro e ranger de dentes. Não deixe de fazer um bom levantamento das inovações legais e jurisprudenciais, e não vacile em levar tudo impresso.

A par do dito acima, leve também cópia do edital, pois se um fiscal encrencar com suas impressões, você terá o contra-argumento na mão. Em toda prova são relatados todo tipo de abusos e desmandos. Arme-se com o edital para não ser a vítima da vez.

3 - Apresentação

Devo pular linhas? Fazer recuo de texto? Usar todo o espaço da prova? O primeiro ponto que você deve observar é LER a primeira folha da prova, ou seja, a folha de instruções. Isso é óbvio, e vital. Leia duas vezes ou mais. O Cespe pode perfeitametne alterar um ou outro critério para a elaboração da redação e você pode passar batido. Na última prova havia uma instrução que determinava que os candidatos não deveriam pular linhas entre um parágrafo e outro. Foi um grande drama! Muitos e muitos candidatos passaram semanas achando que seriam reprovados por isso. Ao fim, ninguém perdeu pontuação, mas ficou a lição: Faça exatamente o que o Cespe determinar!

Quanto a elaboração da redação em si, o mais importante é você escrever com clareza, estruturando sua petição com lógica, indicando ponto a ponto o que você irá escrever. A estética da petição conta muito na hora da correção. Uma apresentação clara, de simples compreensão de todos os pontos, lhe será muito útil.

Escreva de forma com que as linhas da sua prova tenham o mesmo tamanho (aproveitando todos o espaço ofertado) e que os parágrafos também tenham tamanhos uniformes (eu sugiro que cada parágrafo tenha entre 5 e 7 linhas - dá uma sensação de harmonia e coesão de idéias).

Se sua letra for horrível como a minha, procure fazer um rascunho, caso o seu tempo lhe permita. O examinador não costuma ser muito benevolente com garranchos. Após ler trezentas peças eu tenho certeza de que você desejaria com que o examinador não se aborrecesse com sua letrinha medonha.

4 - Tática

O que é melhor fazer primeiro? A peça? As questões? Eu sugiro (É apenas sugestão. Defina antes qual é sua melhor abordagem) a seguinte tática. Primeiro determine qual é a peça processual exata para o problema apresentado. É um Respe? Uma apelação? Uma inicial? Repetição de indébito? Recurso ordinário? Acertar a peça é 40% da prova. Definida qual é a peça, abandone completamente a petição e vá para as questões. Gaste nelas, no máximo, uma hora e meia. NÃO queime os neurônios tentando achar a resposta de uma ou duas questões mais difíceis. Se não está conseguindo resolvê-las, deixe-as para resolvê-las após a peça prática. Terminadas as questões, gaste todo o seu precioso tempo na petição. Se você não gosta de fazer um rascunho, ao menos traçe uma breve esqueleto do que será sua peça processual. Isso lhe dará segurança.

CONTE o número de folhas que você tem para escrever. Seu rascunho pode ser maior que o devido, e você pode ter uma triste surpresa ao perceber que o seu pedido ou razões finais ficaram fora do número de folhas que lhe foram concedidas.

NÃO, eu disse NÃO escreva seu lindo nome na peça, tampouco escreva um nome fictício, ou do grande amor da sua vida ou do seu cachorrinho. Escreva somente advogado (Mas antes de escrever qualquer coisa, LEIA as instruções da prova. Certamente terá uma informação específica sobre a forma de se assinar a peça).

NÃO, e digo mais uma vez: NÃO se apavore com a prova. Lembre-se que você levará a nata da doutrina sobre a sua área-fim. Certamente tudo o que você precisa estará lá. A prova não é um bicho de sete cabeças. Ela pode surpreender de início pela dificuldade, mas com frieza e calma, é quase certo de que você achará todas as respostas necessárias para resolver os problemas apresentados. O desespero oblitera a percepção, e advogado tem de ter sangue frio - é exatamente a hora de mostrá-lo.

Lembre-se: A grande tacada na prova é fazer três pontos e meio na peça prática. Com isso você só precisará acertar duas questões para lograr aprovação. Uma peça bem feita é a solução de todos os problemas.

5 - Ao final...

Leve água, ciclete, chocolate, balinhas, sanduíche do MacDonald's, etc, etc. Passar fome no meio da prova é um problema sério, que pode perfeitamente acabar com sua concentração. Gaste um dinheirinho com o lanche. E leve três canetas Bic transparentes.

Evite estudar até altas horas na véspera da prova - sua mente precisará de repouso. E, principalmente, evite de todas as formas o contato com o álcool (ou drogas controladas). Se você acredita em Jesus, Buda, Alah ou qualquer nome que queira dar à Força Superior, reze um pouco e peça ajuda espiritual: é o melhor dos estímulos (e a melhor ajuda).

Não caia na tentação de levar uma colinha, por menor que seja. Se te pegarem, as consequências simplesmente irão acabar com sua carreira profissional antes mesmo dela iniciar. É mil vezes melhor reprovar no exame do que ser pego colando. Em suma: Não seja estúpido.

Se por azar algum fiscal te atrapalhar com alguma exigência ilegal, exdrúxula ou impertinente, mantenha a calma e procure argumentar com a razão. Se não der certo, chame o responsável pela aplicação da prova - é sempre melhor falar com o general do que com os soldados.

Lembre-se: A prova é dia 1º de março, um domingo. Chegue cedo, no horário em que os portôes abrirem (Meio-dia e meia no horário de Brasília. Confiram os horários nas cidades com diferenças de fuso), para imediatamente apresentar seus livros. Se algum fiscal encrencar com alguma obra, você terá um tempão para conseguir liberá-la com o "general".

Para terminar: Após a prova, entre no Blog. Estaremos aqui acompanhando tudo on-line! E se de alguma forma essas linhas lhe ajudarem no dia, entre no Orkut e escreva um grande e lindo testemonial para mim. Este blogueiro agradeçe.

Boa-sorte!!

P.S. - Não vá de chinelo, bermuda, etc, etc. Vá, no mínimo, de tênis, calça comprida e uma camisa. Isso vale para as meninas também.

12 comentários:

Anônimo,  24 de fevereiro de 2009 23:51  

Com certeza, obrigado pelas dicas.
Vai dar tudo certo.

bel 25 de fevereiro de 2009 00:10  

Obrigada pela dica, me lembrarei disso tudo!!

Vinicius 25 de fevereiro de 2009 01:33  

Dr. Maurício, vc recomenda que na peça coloque a fundamentação jurídica para justificar a competência, caso de representação, valor da causa, essas coisas que fazem parte da estrututa da peça em si?

Maurício Gieseler de Assis. 25 de fevereiro de 2009 01:42  

Valor da causa só se for uma inicial. Isso é natural. Tenha o Art. 282 do CPC na cabeça. Quanto ao resto, somente se o enunciado pedir, inclusive quanto a gratuidade de justiça ou submissão à comissão de conciliação prévia.

Vinicius 25 de fevereiro de 2009 01:49  

Obrigado Dr.! mas devo fundamentar na parte "Do direito"?, ex: justificar com o art. 12, inc. IX do CPC a representação do condomínio por seu síndico; O valor da causa na ação de alimentos pelo art. 259, inc. VI do CPC.

e outra dúvida, a preliminar de contestação devo escrever antes ou depois do resumo dos fatos da inicial?

Anônimo,  25 de fevereiro de 2009 10:12  

Rafaela Pietrzak
Maurício, valeu pelas dicas!
Se eu chegar tranquila no domingo depois da prova, crente de que fui bem, te escrevo um testemunhal como o anfitrião desses exames de ordem. Sua parceria e dedicação aos examinandos tem sido fundamental.
Grande abraço, e faça tb a sua prece por todos nós!

Anônimo,  25 de fevereiro de 2009 11:23  

Obrigada pelas ¨dicas¨. Fazer o esqueleto da peça parece muito adequado. Eu ia separar 2 h e 30 minutoa para a peça, mas vou seguir seu conselho. Vou pega jurisprudência atualizada de Administrativo. Tem alguma sugestão de site?VALEU!

André Sá 25 de fevereiro de 2009 11:45  

Dr. Maurício, suas dicas sempre nos ajudam, obrigado !!!

Anônimo,  25 de fevereiro de 2009 20:28  

Obrigado pelas dicas, são muito úteis, principalmente para quem como eu, esta no primeiro exame e não tem idéia do que irá encontrar.
No entanto, dada minha experiência na primeira parte da prova, tenho que me opor a UMA dica, a última:
“P.S. - Não vá de chinelo, bermuda, etc, etc. Vá, no mínimo, de tênis, calça comprida e uma camisa. Isso vale para as meninas também.”
Não sei quanto aos outros locais de prova, mas aqui em Santa Cruz do Sul/RS, a prova é feita em uma escola pública. Na sala onde fiz a primeira prova, vestido com bermuda, estava um calor infernal, haviam apenas 2 ventiladores, longe de onde eu estava, mesmo com bermuda e camiseta o calor atrapalhou...
Para piorar a escola onde é feita a prova é muito próxima a Universidade, onde há ar condicionado e condições mais que adequadas para realização da prova, ainda mais pelo preço da inscrição.
Por isso, como não há nada no edital, irei de bermuda e desta vez com um chinelo beeeemm confortável... e ainda levarei mais água, bem gelada!!

Abraços, parabéns pelo blog.

Dai Bussmann,  26 de fevereiro de 2009 10:04  

Há 2 semanas faço um trabalho psicológico em q, ao abrir a prova, saberei com facilidade a peça adequada e as respostas das questões! Na última prova-prática eu quase surtei de tão nervosa. Claaaro q não passei! Dessa vez nada de me sabotar! Calma, paciência e conhecimento q td dará certo!!!

castrao,  26 de fevereiro de 2009 13:06  

isso tá parecendo um treinamento para guerra na faixade Gaza, a OAB É CRUEL..

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